quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Construtor de Pontes...

"O meu idel politico é a democracia, para que todo homem seja respeitado como individuo e nenhum venerado." Albert Einstein


Da Introdução a teoria democratica à arquitetura nazista (Passando pelo projeto).


Existe um professor na Fafich que teria se dado bem na arquitetura. O nome dele é Ricardo Fabrino e ele adora fazer pontes. Na verdade ele dá aula sobre teorias democraticas, mas sendo ele da área de comunicação (o que para uma turma da comunicação, é algo bom.). As pontes que ele faz não são de concreto, mas são de idéias filosóficas. Somente nas aulas dele nós aprendemos que relação existe entre Hanna Arentd e a escola de frakfurt (ou o caso dela com um dos maiores filosófos do século XX, só não cito o nome por que o cara era casado e fofocar é feio...) ou então a relação entre Rosseau e o nazismo... Ligações interessantes que tornaram uma disciplina, que parecia chata (na primeira aula, tal impressão se desfez) em uma das melhores matéria do curso até o presente momento. É talvez por que as teorias democráticas tem mais a ver com comunicação do que eu pensava, e tem muito a ver também com a nossa vida, com a nossa vontade de lutar por nossos direitos, com o nosso voto... É realmente uma ótima matéria que sempre recomendarei.


Agora, já que estamos falando de pontes, que tal falar um pouco de Arquitetura (e falar do meu projeto também...). Bem, nunca pensei muito em arquitetura, até que durante a leitura de um dos livros do meu projeto, Propaganda e persuasão na alemanha nazista, citou a arquitetura como uma das formas de propaganda usada pelos nazistas! Ou seja, a arquitetura comunica, e passa uma ideologia e nos faz sentir coisas! ( Arquitetura como forma de comunicação bem que seria um bom tema para uma tese...) No nazismo, ela era usada para expressar certos ideias de grandeza, de monumentalidade que faziam as pessoas se sentirem pequenas diante dele. Era muito influênciada pelos modelos greco-romanos, e também passava a idéia de rigidez e organização. Tudo isso para impressionar as pessoas.


Vejam, por exemplo, como ess\as imagens, como esses conjuntos arquitetonicos tentam mostrar imponência ( e se imagine como um judeu, sendo perseguido pelos construtores desses prédios, passando por eles, sabendo que seus inimigos estão por ai... e você vê esses predios, passeando pela berlim, fala se não ficaria com medo... Embora, é claro, não se pode negar que pelo menos na hora de fazer prédios, os nazistas tinham bom gosto.)


Palacio nazista



Projeto de Berlim Berlim















Olimpiadas


As duas ultimas imagens são da grande pista olimpica, e as duas penúltimas são o projeto de Berlim.


Acho que por hoje é só...

A onda

"As grandes massas cairão mais facilmente numa grande mentira do que numa mentirinha." Adolf Hitler

Das reflexões de um filme às teorias da comunicação (Passando pelo projeto)A onda


Esta semana vi para a disciplina de projetos o filme A onda. Ele tem uma receita incrível: Adolescentes sem perspectiva, um estranho experimento em sala de aula e algo que se assemelha ao nazismo. E um pequeno detalhe que deixa o filme um pouco mais assombroso: Ele é baseado em fatos reais (embora, tenha descoberto que o filme exagerou um bocadinho).


Rainer, um professor anarquista precisa dar aulas sobre os governos totalitarios, quando em plena discussão os alunos falam que algo como o nazismo nunca se repetiria na alemanha atual (o filme é alemão). Com isso na cabeça, o professor decide fazer um experimento nazi-facista em plena sala de aula. Para isto ele começa a aplicar algumas das premissas do nazismo como o amor pela disciplina e a valorização do grupo. Resultado: Os alunos (com duas exceções) acabam gostando e se tornam nazistinhas. E ainda: o que começou em uma sala foi se alastrando pela escola. Entre as proporções numéricas e atitudes do novo grupo, e o protesto das duas estudantes que não gostaram nada do que estava acontecendo a narrativa vai se construindo e desembocando para um final surpreendente.


Este filme traz preciosas reflexões. A primeira remonta a como uma certa falta de perspectivas da juventude atual pode ser encarado como um dos motivos do crescimento do neonazismo. Ora pois, se não encontramos sentido em nossa vida, encontraremos sentido para ela dentro de um grupo que é maior do que nós. A prova disto era Tim, o jovem mais excluido da turma, que acabou até mesmo tratando com as drogas no inicio do filme, mas que foi um dos que mais se identificaram com a experiência ( e o final do filme mostra muito bem isto hehehe). No interior do grupo ele passa a ser alguem que recebe atenção dos outros, e o próprio grupo passa a ser o sentido de sua vida! E sendo a o grupo esse sentido, ele faria tudo pelo grupo. Esta falta de sentido e perspectiva era a mesma que afetava a Alemanha pós primeira guerra. Vencida, humilhada, pisoteada ela era uma nação que já não via mais o sentido na própria existência, os indivíduos vitimas da fome e da crise encontraram um sentido no grupo-nação. Este foi um dos principais pontos da propaganda nazista: Valorizar o grupo.


Uma segunda reflexão tem a ver com as teorias da comunicação. Primeiramente, surgiu nos Estados Unidos o Mass Comunication Ressarch. Todas as outras teorias basicamente surgiram em sentido contrario a ela. Quando vejo porém este filme e mais especificamente estudo o que realmente aconteceu na Alemanha nazista, eu penso que o Mass Comunication Ressarch não é assim tão absurdo como falam os outros estudiosos. Ora pois, como não acreditar que os meios de comunicação possuem um grande poder (Apenas grande, mas não ilimitado como julgam as pessoas) se a alemanha nazista mostra que é realmente isto que aconteceu? Temos de um lado A ideologia nazista, do outro uma nação inteira reproduzindo esta ideologia. É claro que muitas pessoas não apoiaram o regime, tanto que no próprio filme duas meninas não concordam com o que acontece.


Uma terceira reflexão tem igualmente a ver com teorias da comunicação. Tem a ver em como a teoria critica ajuda a explicar essa experiência. Temos em Adorno e nos outros Frankfurtianos (ou estudiosos da escola de Frankfurt) uma verdadeira crítica a uma certa irracionalidade da massa, às ideologias e a uma certa industria cultural. Parece uma critica feita diretamente ao nazismo (embora não nescessariamente ao nazismo). Tal fato pode ser explicado também pelo contexto em que surgiu a escola de Frankfurt: Na época do surgimento do nazismo. Talvez é por isso que eles eram tão pessimistas (e talvez também pelo pequeno fato de serem Judeus e comunistas, uma combinação um tanto perigosa para a época e que fechou um pouco o cerco para a época).


Como os professores disseram, bem, não é a hora exata de começar a fazer análises, e bem como não sei até onde avancei neste pequeno texto, acho apropriado parar por aqui. Só uma pequena observação.http://i1.r7.com/data/files/2C92/94A4/296B/B6A8/0129/6D12/66BB/6A89/a-lenda-dos-guardioes-poster-500-700-01.jpg Ontem eu havia ido ao cinema com alguns amigos para ver Tropa de Elite, mas os ingressos já haviam sido esgotados. Então decidimos assistir a Lenda dos guardiões, que tem essas pombas como protagonistas. Por incrível que pareça, o filme parece com uma interessante critica ao nazismo. Temos um vilão que quer dominar o mundo das aves, sob o pretexto de fazer parte de uma raça de passaros superior às outras, temos uma "ditadura" dele sobre algumas aves menores que são alienadas ao dormirem olhando para a lua. Esse discurso racista no entanto é o que dá mais relaçõe com nazismo... Vale a pena ver só para fazer estas comparações.


Agora, Se ficou curioso com o filme A onda, pode assistir o trailler Aqui. Ele pode ser facilmente encontrado nas locadoras.

Primeiro, Segundo e Terceiro...

"Uma parte de mim
é só vertigem:http://www9.georgetown.edu/faculty/irvinem/theory/peirce-semiosis.gif
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de
vida ou morte —
será arte?"

Ferreira Gullar


Da introdução aos estudos da linguagem.


Creio eu que cerca de 50% da turma ficou traumatizada com uma disciplina chamada Introdução aos estudos da linguagem. Foi algo bem diferente do que todo mundo imaginava, afinal estavamos ainda em um momento de primeirade (termo aprendido na disciplina) do curso. Não vou dizer que foi uma  disciplina fácil, mas foi algo que me interessou. Embora haja muitas controversas sobre o assunto, a rigidez da professora foi um aspecto positivo, se não nós não teríamos aprendido algo tão complexo como os fundamentos da semiótica.


A disciplina abriu os nossos olhos para perceber alguns dos fundamentos da constituição do sentido. Tambem fui surpreendido quando descobri uma segunda face de um dos meus escritores prediletos, Umberto Eco (que decaiu um pouco do meu favoritismo, após a leitura de " O pêndulo de Foucault", mas isso não vem muito ao caso, não é mesmo?) que se mostrou um ótimo semioticista.


Uma das coisas legais que fizemos foi assistir ao video ilha das flores (que esta disponivel no you tube, se clicarmos aqui.) e depois percebermos um pouco da estrutura de significação deste documentário. Realizamos alguns seminários que trouxeram uma certa materialidade concreta (ou uma secundidade) ao que parecia ser puramente teórico. No final da disciplina tambem fizemos uma análise semiótica de uma capa de revista a nossa escolha e da fotografia tirada por um fotógrafo, chamado Arko Data (cujo uma pequena pesquisa, me fez ficar interessado em suas fotografias).


Aqui estão a capa da revista e a foto:


 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgiu53L5BN7JhrphEDFRID9-DZL5D6vJmXnbaTSgjYD95yq8GikJ1sxDNQL3vAV0kp3WX2c1vzjo8GF6hEklkhLIdajFQVjhfgoQHwFIooGb5bhLV9di5UVPDwGTj49hXqkPLipjsxYgrxA/s320/Revista+Veja+-+Ajuda+para+Morrer.pnghttp://coromandal.files.wordpress.com/2009/08/arko-datta-india-tsunami.jpg


 


 


 


 


 


 


 


 


 


Bem, análise da capa de revista está disponivel aqui: http://textosfacul.blogspot.com/2010/10/trabalho-1-analise-da-capa-da-revista.html


E uma outra atividade que tambem gostei de fazer, foi uma analise do filme "o enigma de Kaspar Hauser, que pode ser encontrado aqui (a análise, o filme se uiser vê, que vá a locadora e alugue....): http://textosfacul.blogspot.com/2010/10/analise-de-kaspar-hauser.html


Por fim acho que por enquanto é só isso que eu tenho a falar da disciplina... A proposito, o poema do Ferreira Gullar citado mais acima, foi um dos poemas que achei durante a pesquisa para um dos seminários, e simplesmente vi que tinha tudo a ver com a disciplina... não é mesmo?

Heil Hitler!

Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos. Romanos 1.27


http://avinha001.files.wordpress.com/2010/03/344_1423-hitler.jpgPequenas considerações sobre o nazismo.


Heil Hitler era o cumprimento de ordem na alemanha entre os anos de 1933 e 1945. O Fürer era visto como um Deus, como a solução da nação e como a resposta de todas as orações do povo alemão. Pra não dizer que eu exagero, é só ver como era a oração ensinada as crianças:" Fürer, meu Fürer que Deus me deu. Proteja e conserve por muito tempo a minha vida. Tu salvaste a Alemanha dos abismos da miséria. É a ti que devo o pão de cada dia. Conserva-te muito tempo junto de mim, não me abandone. Fürer, meu Fürer, minha fé, minha luz. Salva-me, meu Fürer."¹


Afinal de contas, o que o hitler tem a ver com a minha vida acadêmica? Neste semestre começamos a disciplina Projetos A 1 e o tema que eu escolhi foi " o uso da comunicação na Alemanha nazista. Escolhi este tema, primeiro por que a leitura de certos livros ( como A Menina que roubava livros²) e aulas sobre o assunto no meu ensino médio povoaram a minha imaginação sobre a época, sendo que ficar colecionando depoimentos de época e até mesmo filmes se tornou um dos meus passatempos favoritos.


O segundo motivo tem uma dimensão mais ética. Ver como a comunicação era usada na época, nos leva a refletir sobre como ela é usada hoje, e nos faz pensar em semelhanças e diferenças, para que o horror não se repita. Afinal, foi o mesmo Hitler endeusado na imagem acima que provocou o massacre representado na imagem abaixo:http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/holocausto/imagens/holocausto6.jpg


Tal projeto consiste em observar as propagandas impressas e audiovisuais (aqui entra documentarios, filmes e discursos) e tambem assistir alguns filmes atuais sobre o nazismo, para entender um pouco do ar da época.


Apesar de os professores dizerem que não devemos analisar nada, este trabalho já me fez construir varias pontes, como diria o Ricardo Fabrino, professor de Introdução a teoria democratica, com as outra disciplinas do curso, como teorias da comunicação, introdução a teoria democrática, introdução aos estudos da linguagem (cujo os colegas ficaram traumatizados) e história social dos meios. A minha coordenadora neste projeto é a Vera Veiga França.


A proposta deste projeto pode ser encontrada aqui.


Por hoje é só.







¹ trecho do livro Nazismo: Politica, cultura e holocausto, da série discutindo a história da ATUAL EDITORA, cujo as autoras são Marcia Mansor D'alésio e Maria Helena Capelato.


² Livro de Markus Zusak.

Pequeno prólogo de um aspirante a jornalista

Assim eu me esforcei para compreender a sabedoria, bem como a loucura e a insensatez, mas aprendi que isso também é correr atrás do vento. Ec. 1.17


Acho que as palavras de Salomão são um bom começo pra explicar como vim parar aqui. Até um ano atrás eu nunca havia nem sonhado em ser jornalista, e no fim acabei descobrindo uma profissão que aprendi a amar. O que aconteceu foi algo do tipo: Eu queria fazer história ou letras, meu pai queria que eu fosse engenheiro e minha mãe que eu fosse advogado. O resultado foi o jornalismo.


Por incrível que pareça mesmo escolhendo a profissão alguns dias antes de acabar a inscrição para o vestibular, não foi uma escolha tão brusca como algumas pessoas imaginam. O mundo da comunicação sempre me fascinou, e eu me lembro de quando eu era criança e adorava brincar de jornalista, ou de o quanto eu adorava aqueles trabalhos de ensino médio que envolviam escrever jornais e revistas. Só não havia percebido que era o que eu queria.


Em toda indecisão e pressão que o vestibular provoca, acabei me esforçando para compreender os segredos das sabedorias e das ciências, de quais poderiam me ajudar a entender o mundo e eis que percebi que "tudo é vaidade e correr atrás do vento" (Ec. 2.17). Vaidade é uma palavra, que em sua língua original tem o significado de neblina e apresenta uma idéia de efemeridade. Não que eu ache que o conhecimento seja o efêmero, mas o objeto do conhecimento e da sabedoria, esse sim é efêmero, assim como a própria vida do homem.


Mas o que é mais efêmero do que a própria notícia? Do que a pequena tentativa de eternizar o que está fadado ao esquecimento? É talvez esse um dos motivos que me levaram a escolher o jornalismo e a comunicação como profissão, pois por mais que estivesse correndo atrás do vento, eu sempre soube que chegaria a algum lugar, e é isto que torna levemente mais interessante a nossa pequena jornada. Outro fato decisivo para esta escolha foi uma matéria da internet que a minha professora de geografia distribuiu para os alunos, quando estudávamos a dinâmica do mundo contemporâneo. Essa matéria me emocionou a tal ponto que me fez perceber que era isto o que eu queria: Emocionar as pessoas como aquela matéria havia me emocionado, eternizar nas pessoas, a vaidade do mundo.


Acho por isto, muito pertinente para concluir a minha postagem, deixar o link desta matéria, que foi o prólogo da minha jornada de aspirante a escritor.


Quem Cria lobos... Por Fritz Utzeri